Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Marcas
do rumo ao estado policial (II)
René Ariel Dotti
Fragmentos da IV
Conferência da OAB-PR
As entrevistas de repercussão
nacional dos ex-Ministros da Justiça, Célio Borja e Paulo
Brossard, afirmando que práticas autoritárias e
inconstitucionais estão transformando o país em um estado
policial, revelaram que foi muito oportuna a publicação da
vigorosa denúncia de Eduardo Rocha Virmond, “Rumo ao estado
policial”, distribuída em forma de plaqueta pela presidência
da OAB-PR. Na IV Conferência Estadual da OAB-PR (22-24/06/08),
o assunto foi tratado em comparação aos anos do regime militar
(1964-1985). O painel sobre os trinta anos da Conferência
Nacional da OAB (Curitiba, 7-12/05/1978), reuniu Eduardo Rocha
Virmond (“A repercussão da Conferência de 1978”); Egas Dirceu
Moniz de Aragão (“Os temas polêmicos da Conferência de 1978”);
José Paulo Sepúlveda Pertence (“Reflexões sobre a Conferência
de 1978”) e Joaquim Munhoz de Mello (“Os resultados da
Conferência, principais conquistas”).
No encontro de
1978, o mestre Moniz de Aragão defendeu a tese nº 13, “O
Estado de Direito e o direito de ação (a extensão do seu
exercício)”, afirmando que “em um Estado de Direito é
inaceitável qualquer restrição de natureza meramente política
ao exercício do direito de ação, (...) como as que,
presentemente, subtraem à apreciação do Poder Judiciário a
lesão de direitos individuais”. Abordando o grave problema
da má formação dos bacharéis em Direito – já existente naquele
tempo – disse: “é necessário que seja exercida severa
fiscalização sobre os cursos de direito, cujo padrão de
qualidade tem caído a olhos vistos”. E defendeu a
importância da boa formação da magistratura: “é necessário
serem criadas escolas de formação de magistrados” também
para “posterior aprimoramento dos juízes que o integram”
(Anais da VII Conferência Nacional da OAB, ed. OAB-PR,
1979, p. 335).
Na plaquete
referida, diz o ex-bâtonnier Virmond: “Caberá a mim
falar das qualidades da VII Conferência de 1978 quando junto
com tantos outros, fui um dos seus causadores e
particularmente um dos seus provocadores. Fazer um balanço?
Este balanço há de ser feito sempre e continuamente para
evitar e impedir que as forças da truculência, seja através da
polícia, dos palácios, de algumas figuras do Ministério
Público e da justiça tenham ganho de causa, nessas por
enquanto raras mas que começam a ser repetitivas demonstrações
de arrogância e intimidação, que tendem a recrudescer, com o
abuso da publicidade enganosa. Atitudes inamistosas em relação
ao espírito democrático, que está dentro da psicologia do povo
brasileiro, ofendem a vontade de tolerância, de respeito às
divergências e ainda da segurança das minorias à manifestação
e à participação” (p. 7).
Essas notas
de resistência estão em perfeita sintonia com as
manifestações de repúdio contra variadas formas de abuso de
autoridade. (Segue).
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 28.09.2008.
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