Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Marcas
do rumo ao estado policial (I)
René Ariel Dotti
Fragmentos da IV
Conferência da OAB-PR
O desenvolvimento das
sociedades humanas depende, necessariamente, do aprimoramento
de seus hábitos e costumes na afirmação de bens, valores e
sentimentos considerados essenciais à coletividade. A síntese
desse fenômeno é revelada pela Civilização e pela Cultura
modeladas pelos anos na passagem do tempo. Os conceitos de
progresso e de crescimento do homem singular e da comunidade
em geral estão, de certo modo, implicados nos conceitos de
Civilização e Cultura. Um exemplo pode mostrar essa realidade:
o povo judeu está desenvolvendo, há muitos anos, um contínuo
movimento de resistência contra a opressão e o arbítrio que se
manifestaram de forma absoluta durante o regime nazista e
foram conhecidos mundialmente pelo inventário de tragédias da
II Grande Guerra (1939-1945). Fotos dos campos de
concentração, denúncias das atrocidades, mensagens de paz e de
amor e outros elementos de um grande mural de humanidade são
partes integrantes do processo de educação para as gerações do
presente e do futuro. Aquelas porque não existiam nos anos 30
e 40; estas, para que também conheçam, nos dias de amanhã, o
pesadelo que manteve durante anos o eclipse do indivíduo
quanto ao exercício de seus direitos naturais e sociais.
Os advogados
brasileiros têm, assim como todas as instituições públicas e
privadas comprometidas com o Estado Democrático de Direito e
seus valores materiais e espirituais, o dever inadiável de
manifestar-se sobre a importância fundamental da resistência
contra a opressão e a intolerância que afetam os direitos
sociais, econômicos, políticos e culturais de um povo, de uma
nação, de um Estado.
Essas observações
introduzem a contribuição do Advogado Eduardo Rocha Virmond à
IV Conferência Estadual da Ordem no Paraná, ocorrida em 23 de
junho de 2008, com o título: “Rumo ao estado policial”. Na
apresentação do vigoroso texto, em forma de plaqueta, o
Presidente Alberto de Paula Machado anota que se enalteceu, no
correr dos anos após a VII Conferência Nacional da OAB,
realizada em Curitiba, em maio de 1978, “a grandeza e a
unidade de sua atuação, principalmente em relação às
exigências de liberdade e democracia, com a revogação do
famigerado Ato Institucional nº 5. Considerou-se, então e até
hoje, sem prejuízo das demais contribuições, como porta voz, a
congregar tais aspirações, o Presidente da Seção do Paraná da
Ordem, o advogado Eduardo Rocha Virmond, membro nato do
Conselho Seccional, que fez o discurso de abertura daquele
majestoso Congresso,considerado também como mensagem da
abertura política dirigida ao Poder”.
A intervenção do
ex-bâtonnier no recente evento encerrou com a aprovação
unânime, pelos participantes do painel, do voto de louvor
proposto pelo colega Osmar Koehler e subscrito pelo
vice-Presidente da OAB-PR, Renato Kanayama. (Segue)
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 21.09.2008.
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