Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
A
missão criadora da jurisprudência (Final):
René Ariel Dotti
A contribuição do
Desembargador Luiz Viel
A Associação dos Magistrados do Paraná promoveu nos dias 14 e
15 deste mês, no Tribunal do Júri, um congresso em homenagem à
memória do Desembargador Luiz Viel (1936-1988). Em oração
proferida no evento, destaquei as qualidades éticas,
intelectuais e humanas do homenageado. E disse que a sua
doutrina e seus votos receberam as visitas de Nelson Hungria,
Aníbal Bruno, Heleno Fragoso, Francisco de Assis Toledo,
Damásio de Jesus, Celso Delmanto, Magalhães Noronha, Paulo
José da Costa Júnior, Pierangeli, João Mestieri, William
Wanderley Jorge, Julio Mirabete, Juarez Cirino dos Santos,
José Frederico Marques, Tourinho Filho, Hélio Tornaghi, Borges
da Rosa, Canuto Mendes de Almeida, Ada Pellegrini Grinover,
Espínola Filho, Jorge Alberto Romeiro, entre outros
prestigiados autores nacionais. Os mestres estrangeiros também
comparecem nos artigos e nos votos para justificar seus
argumentos e suas conclusões: Zaffaroni, Jescheck, Manzini,
Carrara, Carnelutti, Antolisei, Soler, Figueiredo Dias,
Córdoba Roda, Rodriguez Devesa, Santiago Mir Puig, Cury Urzúa,
Maurach, Fontan Balestra, Florian, Malatesta, um vasto
repertório, enfim, de escritores que fizeram e fazem da
ciência do Direito um fenômeno atemporal na medida em que
traduz os preceitos fundamentais do Direito Romano, atribuído
a Ulpiano: Alterum non laedere, Honeste vivere, Suum cuique
tribuere, ou seja, Não lesar a outrem, viver
honestamente e dar a cada um o que é seu.
As virtudes de lucidez e talento do nosso homenageado
foram registradas na apresentação dos Temas Polêmicos,
a obra póstuma organizada por Roque Viel e que veio a lume em
1999. São palavras do Ministro Felix Fischer, após se referir
aos cargos e à vida pública de Luiz Viel: “Em todos os
setores e atividades sempre foi um grande destaque, um
paradigma e um notável orientador dos colegas mais jovens.
Era, em verdade, um amigo de lealdade ímpar e uma presença
intelectual indispensável para todos. Aliás, v.g., certa
feita, numa de suas palestras, analisando, comparativamente, a
doutrina de outro país, chegou a empolgar os próprios
professores que de lá vieram para participar do ciclo de
estudos. Desnecessário, pois aí, acrescentar qualquer
comentário. Foi algo memorável”(Curitiba, JM Editora, p.
5).
A objetividade na análise dos fatos, a precisão técnica na
abordagem jurídica e o senso de realidade, fazem dos casos
julgados através de sua relatoria, paradigmas de
extraordinário valor científico e de incomensurável carga de
humanismo.
O Ministro Felix Fischer, a AMAPAR, pelo seu presidente, o
Desembargador Miguel Kfouri Neto e por seu Diretor Cultural, o
Magistrado Luiz Fernando Tomasi Keppen, comprovaram ao
idealizarem e promoverem o sensível evento, o antigo
pensamento inglês, referido na crônica anterior: determinadas
pessoas não morrem; vão antes.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 31.08.2008.
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