Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
O
tempo e o Direito na história da Faculdade (I):
René Ariel Dotti
Decisão e vontade em
busca de um tempo que não se perdeu
Ricardo Marcelo Fonseca
assumiu, na manhã de 11 de julho, o honroso cargo de Diretor
da Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, prestigiado
pela comunidade acadêmica, além de seus parentes, amigos,
colegas e admiradores.
Advogado, defende
a causa de um novo projeto didático-pedagógico, afirmando que
a “verdadeira academia dotada de racionalidade pública é um
lugar de produção qualificada de saberes e essa produção de
saberes, por outro lado, deve ter como local privilegiado de
divulgação e discussão a sala de aula, de modo que a
implicação e a indissociabilidade entre o ensino e a pesquisa
devem ser fortemente reafirmadas”.
Historiador, sabe
muito bem que a Civilização e a Cultura não se improvisam, e
nem se rendem às tentações dos modismos, que amoldam as
máscaras das condutas humanas às decisões de conjuntura e às
obras de ocasião. As palavras iniciais de um discurso provido
de excelentes idéias e fecundo de renovada esperança, são
embaladas pelo vento que sopra forte, abrindo novos caminhos
de pensamento e ação: “Vivemos, hoje, a inflexão do tempo.
O mundo está mudando, o direito está mudando, a ciência está
mudando. E o curso de direito da UFPR está mudando. Tempo e
Direito têm uma relação crucial. Não é possível conhecer o
direito senão a partir de uma perspectiva temporal. O direito
só se revela realmente e só desabrocha para o estudioso quando
apreciado diacronicamente”. E num ritmo crescente de
entusiasmo, o Diretor Ricardo Fonseca eleva a intensidade da
voz para ser bem compreendido pelo silencioso e atento
auditório no cenário de linhas clássicas do Salão Nobre: “O
tempo envolve-nos todos. A mim, aos estudantes, a todos os
colegas aqui presentes. E envolve também o Setor de Ciências
Jurídicas – onde se sói usar o termo ‘faculdade de
direito’ como referência aos tempos de resistência,
tanto à ditadura militar quanto à reforma universitária que
departamentalizou os cursos. Aqui, o tempo aqui é elemento
importante. Aqui se cultiva a tradição – pois o curso de
direito foi um dos primeiros que compôs a Universidade, no ano
de 1912, de modo que quando a Universidade completar cem anos,
no fim da gestão que agora se inicia, o curso de direito
também completará seu centenário. E, não por acaso, os nomes
que aqui passaram, os mestres que aqui lecionaram e sobretudo
as autoridades políticas e judiciais que aqui aprenderam,
são com freqüência lembrados”.
A grave denúncia, de que atualmente há mais de 30 (trinta) cursos de
Direito em Curitiba e sua região metropolitana (!), teve,
imediatamente, a oportuna réplica, quando se fez referência à
gloriosa Escola da Praça Santos Andrade: “ter uma história
de quase cem anos é uma insígnia e é um diferencial. Como
também é um orgulho, ao longo desse tempo, ter tido em nosso
rol os maiores mestres que nosso Estado conheceu”.
(Segue).
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 20.07.2008.
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