Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
A
Execução Penal no Estado do Paraná (I):
O indispensável
apoio às atividades dos magistrados
René Ariel Dotti
“É assegurado aos presos o
respeito
à integridade física e moral”.
(Constituição, art. 5º, XLIX)
A imprensa nacional reproduziu a
lamentação do Deputado Federal Domingos Dutra (PT-MA), relator
da CPI destinada ao levantamento sobre os mais graves
problemas do sistema penitenciário brasileiro. Segundo ele, os
governos precisam compreender que cuidar do sistema carcerário
é cuidar da segurança pública. Os dados apurados mostram que
as prisões se transformaram em universidades do crime.
O presos passam anos sem qualquer atividade que lhes crie a
perspectiva de um retorno positivo à sociedade livre. E
acentua a desesperança: “Dos 440 mil presos no Brasil, 80%
não trabalham nem estudam. Sem aprender nada de útil durante
anos, os recém-libertados não conseguem ressocializar:
‘O
sujeito entra no sistema analfabeto e sem profissão. Depois
sai analfabeto, sem profissão, idoso e com o atestado de preso
estampado na testa’”.
(Gazeta do Povo, 02.06.2008, p. 4). A reportagem não
alude aos presídios do Paraná, embora o sistema penitenciário
local tenha também deficiências e problemas.
Mas tal panorama – já denunciado
na CPI do Sistema Penitenciário da Câmara dos Deputados
(1976/1977) pelo então Deputado Ibrahim Abi-Ackel e depois
Ministro da Justiça (1980/1985) –, não desanima e nem
constitui obstáculo intransponível para determinados
magistrados que cumprem seus encargos funcionais com a alma
aberta “às dores do mundo” e empenham seus esforços
para reduzir as graves dificuldades que o cotidiano lhes põem
à mesa de trabalho, ao seu coração e à sua consciência
jurídica. Sou testemunha da prática desse trabalho
missionário, quando os magistrados das Varas de Execução
Penal em Curitiba se dedicam intensamente para cumprir os
princípios constitucionais e legais inerentes à humanitária
execução penal.
Uma bem fundamentada
exposição sobre as suas funções e responsabilidades foi
dirigida pelos juízes da Execução Penal de todo o Estado ao
Desembargador José Vidal Coelho, em linguagem apropriada e com
inegáveis razões humanas, sociais e jurídicas. Tendo em vista
a aprovação, pela Assembléia Legislativa, do projeto de
iniciativa do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, da
criação de cargos em comissão de assessor de Juiz de Direito,
eles requerem a designação de assessores para todas as varas
de Execução Penal que cumulem ou não a Corregedoria dos
Presídios.
A justa reivindicação
é assinada por Christine Kampmann Bittencourt (Guarapuava),
Cristiane Tereza Willy Ferrari (Londrina), Paulo Damas
(Cascavel), Celso Guisard Thaumaturgo (Foz do Iguaçu),
Alexandre Kozechen (Maringá), Antonio Acir Hrycina (Ponta
Grossa), Marcio José Tokars, Lourival Chemim, Roberto Antonio
Massaro e Carlos Henrique Licheski Klein (Curitiba). (Segue)
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 15.06.2008.
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