Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :

Construindo a memória Jurídica do Paraná (Final) :

“Um país se faz com homens e livros” - Monteiro Lobato (1882-1948)

René Ariel Dotti

    A publicação de registros históricos do mundo jurídico paranaense é muito escassa. Há, no entanto, determinadas obras referenciais, especialmente quanto às atividades da magistratura. Durante a gestão do Desembargador Oto Luiz Sponholz e para comemorar o sesquicentenário de libertação da, então, 5.ª Comarca da Província de São Paulo, foi editado um valioso resumo, coordenado pelo Desembargador Ronald Accioly Rodrigues da Costa e Chloris Elaine Justen de Oliveira e diversos pesquisadores, entre eles o Desembargador Jeorling Joely Cordeiro Clève. Seu título: O Poder Judiciário e a emancipação política do Paraná - Memória e atualidade (2003). Na gestão do Presidente Desembargador Luís Renato Pedroso, o centenário do Tribunal de Justiça do Paraná (1991) teve no livro-título do Professor Milton Miró Vernalha, um minucioso levantamento de atos administrativos, ilustrado com fotos e biografia de diversos magistrados. No ano de 1982, quando o Tribunal era presidido pelo Desembargador Heliantho Guimarães Camargo, foi editada pela Secretaria de Cultura uma História do Poder Judiciário do Paraná. Nos últimos tempos, a pesquisadora e escritora Chloris Elaine, com paciência, persistência e lucidez, produziu duas relevantes contribuições com Fóruns do Paraná e Amapar - Capítulos de sua história. Esta última para marcar o cinqüentenário da Associação dos Magistrados do Paraná.

    O projeto do Centro Universitário Positivo (UnicenP) e que se converteu no livro Memória Jurídica do Paraná, lançado na noite de 19 do corrente mês, introduziu um novo e fundamental componente nesses caminhos de resgate histórico: a efetiva participação dos estudantes de Direito e Jornalismo registrando fatos e depoimentos. Um dos coordenadores dessa oportuna iniciativa, o Professor Marcos Alves da Silva, salienta a necessidade da criação de “vínculos com o passado” para oferecer ao corpo discente a oportunidade de ouvir profissionais do Direito e pesquisadores, a exemplo de Túlio Vargas. Numa segunda fase, o projeto publicará textos de professores de Direito sobre fatos notáveis e vida e obra de grandes figuras da história jurídica paranaense.

    A minha entrevista foi coordenada pelo Professor Pedro Luciano Evangelista Ferreira, com a participação de acadêmicos e versou sobre as experiências da advocacia e do magistério. Ela é introduzida pelo jovem e talentoso professor e criminalista Alessandro Silvério, a quem agradeço, muito sensibilizado pela generosidade de suas palavras.

    E que, falando de alunos e mestres, permitem que eu invoque o bom Dom Pedro II (1825-1891): “Se eu não fosse Imperador, desejaria ser Professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências juvenis e preparar os homens do futuro”.

* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 25.11.2007.

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