Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :

Gomes Coelho & Bordin - Sociedade de Advogados :

Algumas afinidades entre o empresário e o advogado

 René Ariel Dotti

    George Bernard Shaw (1856-1950), Prêmio Nobel de 1925, autor de Pigmaleão e outras obras célebres, disse muito bem: “As pessoas estão sempre culpando as circunstâncias pelo que elas são. Não acredito em circunstâncias. Vence neste mundo quem sai à procura das circunstâncias de que precisa e, quando não as encontra, as cria”.

   Esse comando de ação e de esperança tem inúmeras versões e infinitas oportunidades de uso. Uma delas vem de Geraldo Vandré, o paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, com um refrão que provocou a ira dos ditadores em 1968, no III Festival Internacional da Canção. Era uma espécie de hino da resistência contra o governo militar: “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora /Não espera acontecer”.

   O empresário e o advogado trabalham diuturnamente para encontrar ou criar as circunstâncias que superem obstáculos contra suas atividades. As insuportáveis taxas de juros, por um lado; a morosidade da justiça, por outro. A insegurança do mercado, para os negócios; a burocracia forense, para as petições. A incompetência de burocratas; a má vontade de serventuários, etc. Há múltiplas afinidades negativas. Mas, em maior e significativo número, existem coincidências de visão e pontos em comum. O empresário com o desenvolvimento de um projeto; o advogado com o empenho numa causa; o empresário é indispensável para a formação da Economia; o advogado é indispensável para a administração da Justiça, e assim por diante.

    Essas reflexões se ajustam à natureza do recente evento realizado pelos colegas Hélio Gomes Coelho Júnior e Mauro Joselito Bordin e membros de sua equipe, para comemorarem os trinta anos de atividades ininterruptas na advocacia. Entre os convidados estavam profissionais do Direito e um grande número de empresários, especialmente lembrados como amigos e clientes. O mestre de cerimônias, acadêmico e publicitário Ernani Buchmann (mais por amizade que por ofício) deu o toque de agradável formalidade ao encontro.

    Lembro bem quando, nas inquietações e dúvidas do noviciado forense, comentava-se a nova experiência profissional: a sociedade de advogados. Muitos a consideravam desaconselhável alegando que a advocacia é personalíssima. Porém os tempos são outros. A difusão de especialidades jurídicas, a necessidade do trabalho em equipe, as exigências de bom desempenho funcional para a satisfação dos clientes, tornam a associação de causídicos uma realidade cotidiana. Surgem, assim, as pequenas e grandes empresas com advogados, estagiários, para-legais e infra-estruturas administrativas.

    Merecem os melhores cumprimentos todas as equipes que se mantém ao longo dos anos, concebendo e exercendo a advocacia moderna com a necessária visão empresarial.

* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 02.12.2007.

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