Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Os bons resultados das sociedades de advogados :
A distribuição de responsabilidades, emoções, lucros e prejuízos
René Ariel Dotti
No tempo de minhas dúvidas e inquietações do noviciado forense, discutia-se a nova experiência: sociedade de advogados. As opiniões desfavoráveis eram bem maiores ao argumento do caráter personalíssimo da atividade. No início dos anos 60 o mercado de profissionais em Curitiba era caracterizado pelo prestígio pessoal e pelo desempenho marcadamente individual, embora muitos trabalhassem em equipe. Como exemplos, havia as bancas renomadas de Vieira Neto, em demandas cíveis; de Salvador de Maio e Élio Narézi, em casos criminais; e de Augusto Prolik em processos fiscais. Mas a primeira oficina legal que se converteu em sociedade de direito surgiu com a experiência e a liderança do amigo e colega Geroldo Augusto Hauer. Ele fundou a Hauer, Oliveira, Humphreys Ltda., junto com Fernando Vidal de Oliveira (hoje Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná) e Fredy Humphreys, que depois constituiu seu próprio escritório. Conta Geroldo que em 16 de março de 1964, a Comissão de Admissão da OAB-PR, constituída por Henrique Chesneau Lenz César e Fernandino Caldeira de Andrade, emitiu parecer favorável ao registro da mencionada empresa, encaminhando o feito para o Conselho. No colegiado pleno, “em 6 de agosto de 1964, após vários pedidos de vista, pois a matéria era virgem em nosso Estado provocando acirrada” - prossegue o depoimento - “passa a usar da palavra o Conselheiro Vieira Neto que, do alto de seus conhecimentos de cunho internacional e discorrendo sobre as virtudes da associação de advogados em empresa, proferiu voto vencedor”. O registro foi aprovado por maioria e a Hauer, Oliveira, Humphreys Ltda., obteve o número 1 (um) de nossa seccional. Nascia uma nova categoria empresarial. Mais tarde a razão social foi modificada para Jurídica Geroldo Hauer & Cia. Ltda. e finalmente alterada para G. A. Hauer & Advogados Associados. Para ampliar atividades e “ficar à frente de nosso tempo” - como enfatiza o Dr. Geroldo - a sociedade firmou parceria com o escritório Esmanhotto e Advogados Associados.
A instituição contratual para o trabalho conjunto distribui responsabilidades, emoções, lucros e prejuízos. É preferível a produção em grupo coeso, partilhando o bom sucesso e consolando na adversidade, em lugar do labor solitário, principalmente quando os avanços da tecnologia e da informática exigem descentralização, por um lado, e controle difuso, por outro.
A associação formal de causídicos deu certo. A prova está nos inúmeros anúncios, nas petições e em outros documentos. E também no convite que o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA) e o Sindicato das Sociedades de Advogados dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (SINSA) estão distribuindo para comemorar os 25 anos deste primeiro, completados no último dia 4.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 16.12.2007. |