Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
A noite da maior comemoração da cristandade :
René Ariel Dotti
A distribuição de responsabilidades, emoções, lucros e prejuízos
René Ariel Dotti
“Sentir primeiro, pensar depois. Perdoar primeiro, julgar depois.” (Mário Quintana)
Nesta época do ano, quando os sentimentos de fraternidade, amor, solidariedade e esperança modelam um estado de espírito que envolve o mundo cristão e o breve recesso judiciário nos liberta da asfixia dos prazos e das petições, nada melhor que reverenciar o dia, ou melhor, a noite de Natal. Penso que a melhor leitura que se pode oferecer aos visitantes desta coluna vem dos pensamentos que traduzem a sensibilidade e a imaginação de poetas e escritores.
E começo com o Natal de Vinícius de Moraes:
De repente o sol raiou
E o galo cocoricou
- Cristo nasceu! /
O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
- Aonde? Aonde? /
Com seu balido tremido
Ligeiro diz o cordeiro:
- Em Belém ! Em Belém! /
Eis senão quando, num zurro
Se houve a risada do burro:
- Foi sim que eu estava lá!/
E o papagaio que é gira
Pôs-se a falar: - É mentira! /
Os bichos de pena, em bando
Reclamaram protestando.
O pombal todo arrulhava:
- Cruz credo! Cruz credo!
- Mentira? Ora essa! /
- Cristo nasceu! canta o galo.
- Aonde? pergunta o boi.
- Num estábulo! o cavalo
Contente rincha onde foi.
Bale o cordeiro também:
- Em Belém - Me! Em Belém/
E os bichos todos pegaram
O papagaio caturra
E de raiva lhe aplicaram
Uma grandíssima surra./
••• Charlotte Carpenter: “Lembre-se, se o Natal não é achado em seu coração, você não o achará debaixo da árvore”; ••• Oren Arnold: “Sugestões de presente para o Natal: Para seu inimigo, perdão. Para um oponente, tolerância. Para um amigo, seu coração. Para um cliente, serviço. Para tudo, caridade. Para toda criança, um exemplo bom. Para você, respeito”; ••• (Helena Kolody): “Concede-me, Senhor, a graça de ser boa, de ser o coração singelo que perdoa, a solícita mão que espalha, sem medidas, estrelas pela noite escura de outras vidas. E tira d’ alma alheia o espinho que magoa”; ••• Charles Dickens: “O Natal é um tempo de benevolência, perdão, generosidade e alegria. A única época que conheço, no calendário do ano, em que homens e mulheres parecem, de comum acordo, abrir livremente seus corações”.
Mas também não faltam, por outro lado, citações bem-humoradas e verdadeiras como essa do genial ator cômico norte-americano Bob Hope, falecido pouco tempo após ter completado um século de vida: “Minha concepção do Natal, seja ele à moda antiga ou moderna, é algo bastante simples: amar uns aos outros. Mas, pense comigo, por que nós temos que esperar pelo Natal para agir assim?”.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 23.12.2007.
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