Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Um ano novo de trabalho e esperança :
René Ariel Dotti
“Melhor, mais justa, santa e suave coisa é recordar-se dos bens recebidos do que dos males”.
Xenofonte (circa 427 – 355 aC). Historiador, filósofo e general ateniense.
Agradeço aos leitores, familiares, colegas, amigos e conhecidos que estimularam o meu trabalho diário durante 2007. Não me refiro ao conceito restrito de trabalho, próprio da visão capitalista, mas ao significado amplo, talhado pela Sociologia como esforço humano, para transformar a natureza e objetos pela capacidade física ou mental. Além disso, retribuo os votos recebidos, desejando a todos um excelente Ano Novo.
Durante os encontros no Direito e Justiça, tenho vivido a rica sensação de transmitir experiências, narrar episódios, comentar pensamentos e revelar quadros de uma exposição que é permanente no fórum da vida, na teoria do Direito e na prática da Justiça.
Essa convivência não seria possível sem o apoio de algumas pessoas: Paulo Cruz Pimentel, Diretor-Presidente de O Estado do Paraná; Mussa José Assis, Diretor, e Francisco José Z. Assis, Diretor de Redação do mesmo e prestigiado jornal; José Guilherme Assis, Editor deste suplemento e os consultores Ronaldo Botelho e Maurício Kuehne. Eles dão o grande impulso para transformar as folhas soltas no meio de um grande jornal nas páginas compactas de um caderno que assumiu referência nacional. O tablóide semanal é uma ferramenta de trabalho tão necessária como a Constituição e os códigos para orientar as petições e os julgamentos. A lei, a doutrina, a jurisprudência e a notícia percorrem os pontos cardeais da publicação para conduzir os navegadores forenses a salvo das tempestades da ignorância e das intempéries da dúvida.
Mas o meu agradecimento seria incompleto se omitisse duas personalidades morais durante este ano que está findando: Professor Clèmerson Merlin Clève e Deputado Osmar Serraglio. O primeiro, pela generosidade da aposição do meu nome na entrada da Sala de Conferência da revolucionária e prestigiada unibrasil; o segundo, pela minha indicação à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para receber a medalha do mérito legislativo daquela Casa de Leis.
Lembro, a propósito, dois marcos relevantes. Os alunos da minha primeira turma de Direito Penal na UFPR (1962) e a minha escolha, pelo Ministro da Justiça Petrônio Portela, para compor um grupo de juristas encarregado de fazer um diagnóstico e propor medidas contra a violência e a criminalidade (1979).
Passaram-se os anos nas salas de aula e nos gabinetes das comissões de reforma dos sistemas criminal e eleitoral. Inúmeros os alunos e colegas; diversos os ministros e projetos, alguns convertidos em lei; desde a agonia do regime militar até o esplendor da liberdade democrática.
Mas o nome de sala e a comenda não passarão. Eles já integram os bens que recebi em vida para compor o patrimônio espiritual de minha herança.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 30.12.2007.
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