Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente na Gazeta do Povo:
Vida e história da Rádio Clube Paranaense :
René Ariel Dotti
A história do Rádio em nosso país começou oficialmente em 7 de setembro de 1922, com um transmissor de 500 watts, no alto do Corcovado (RJ) para oitenta aparelhos receptores e tendo como primeira atração o discurso do presidente Epitácio da Silva Pessoa (1865-1942).
A instalação de fato aconteceu em 20 de abril de 1923 com Roquete Pinto e Henrique Moritz e nas ondas sonoras da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A programação era destinada ao seleto público de ópera, recitais de poesia, concertos e palestras culturais sem visar o interesse e a participação populares.
No ano seguinte, diversas rádios foram criadas e, entre elas, a Rádio Clube Paranaense (PRB-2), a oitava no Brasil e que completou 80 anos em 2004.
Essas e outras informações se contêm no livro de Valério Hoerner Júnior, Rádio Clube Paranaense – A pioneira do Paraná, editado pela Champagnat (2005) e que faz parte da oportuna coletânea patrocinada pela Universidade Católica do Paraná.
A expressão “era do Rádio” evoca o tempo do fastígio dos programas noticiosos e de auditório, das novelas, das transmissões de futebol e de variados horários de entretenimento antes da chegada da televisão em nosso país, o que ocorreu no início dos anos 50, no Rio de Janeiro e São Paulo e a partir de 1960, no Paraná.
Luiz Witiuk, autor da monografia Rádio Clube Paranaense – B2: 70 anos no ar, (1995), conta que a reunião de fundação da PRB-2 ocorreu na residência do ervateiro Francisco Fido Fontana (1884-1947), conhecida como A Mansão das Rosas, situada na Avenida João Gualberto, de uma Curitiba com apenas 70 mil habitantes. Estiveram naquele encontro pessoas de sensibilidade e visão como Lívio Gomes Moreira, João Alfredo Silva e o seu irmão, Oscar Joseph de Plácido e Silva, Moreira Garcês, Ludovico Joubert, Euclides Requião, Bertoldo Hauer, Gabriel Leão da Veiga, Alberico Xavier de Miranda e Olavo Bório.
Na edição de 27 de junho de 1924, a Gazeta do Povo publicava a seguinte notícia redigida por Acir Guimarães: “Por iniciativa de diversos amadores fundou-se hoje nesta capital uma sociedade denominada Rádio Club Paranaense, com o fim de difundir pela telephonia sem fio, concertos musicaes, palestras instructivas, centros para creanças, músicas e notícias de interesse geral”. (Em Luiz Vitiuk, obrada citada, mantida a ortografia original).
O livro de Valério Hoerner Júnior indica os destaques da Bedois, além de seus fundadores. Trata-se de um registro indispensável para a memória radiofônica. Na década de 30, os diretores Francisco Severiano Justi, Arno Feliciano de Castilho e Cid Ferreira da Luz representaram uma fase marcante porque com eles houve a implantação de programas comerciais, autorizada pelo Decreto federal nº 21.111, de 1º de março de 1932. A época de ouro viria com Epaminondas Santos que durante vinte anos promoveu a emissora ao patamar das melhores rádios brasileiras. Na galeria das figuras relevantes da história da PRB-2 se destacam: Correia Júnior (Lucídio), Ema Riva Correia, Jacinto Cunha, Lóris de Souza e seu irmão, Arthur de Souza (produtor e apresentador da inesquecível Revista Matinal), Ubiratan Lustosa (ver o site, www.ulustosa.trix.net), Janguito do Rosário, Zé Pequeno, Túlio Vargas, Claudete Rufino, José Wanderley Dias, Mário Vendramel.
A Bedois, na síntese de Ubiratan Lustosa, “é uma rádio legitimamente paranaense, nasceu do coração e da vontade do paranaense, do idealismo e da paixão de um grupo de pessoas que desejavam expandir a comunicação e queriam comunicar-se”. (Trecho do livro Rádio Clube Paranaense, de Valério Hoerner Júnior, p. 132).
A vida e a história da PRB-2 e o mundo de realidade e fantasia que traduzem, lembram uma das melhores comédias de Woody Allen, A era do Rádio (1987). Ela conta as lembranças de um garoto e sua família em Nova York, durante a segunda Guerra Mundial.
O filme tem a presença de uma atriz brasileira (Denise Dumont), no papel de uma cantora latina, e duas músicas com Carmem Miranda, a pequena notável.
* artigo publicado no jornal "Gazeta do Povo" de 07.07.2005.
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